Apartamentos sem vaga ganham espaço no mercado imobiliário

Apartamentos sem vaga ganham espaço no mercado imobiliário

Comprar um apartamento sem vaga em garagem em São Paulo era algo impensável para muita gente até pouco tempo atrás.

23 de novembro de 2020

Comprar um apartamento sem vaga em garagem em São Paulo era algo impensável para muita gente até pouco tempo atrás. Entretanto, diante dos congestionamentos, do aumento do número de estações de metrô e do crescimento imobiliário nessas regiões, e ainda diante das novas alternativas de transporte surgidas nos últimos anos, como serviços via aplicativo de celular, os imóveis sem vaga passaram a ganhar a atenção de muitos brasileiros e principalmente paulistanos.

Há uns anos, um imóvel sem vaga em garagem valia em média 30% a menos que outro similar, com vaga, por ser menos procurado e atrativo. Hoje, entretanto, essa diferença é menor, e cada vez é mais comum as pessoas não levarem em conta esse aspecto na hora de comprar um imóvel. Entre 2014 e 2018, houve aumento de 265% no número de empreendimentos sem garagem lançados na capital. Em números brutos, o salto foi de 23 para 84 lançamentos.

Isso porque hoje, em São Paulo, é muito relevante o número de pessoas que passaram a procurar morar sozinhas, ou ainda aqueles que buscam um estilo de vida mais jovem e optam por studios. Os studios, compactos, modernos e atraídos para as regiões mais valorizadas das cidades, costumeiramente não possuem vagas, e isso não é um problema para muitos paulistanos, ao contrário, vem sendo uma tendência que chama a atenção do mercado imobiliário.

 “Um público cada vez maior do mercado imobiliário é o de jovens que procuram por seu primeiro apartamento. Em geral, esse tipo de cliente valoriza bastante a localização do imóvel, sempre procurando por regiões centrais ou de alta concentração de opções de entretenimento e de transporte público”, diz Deco Lima, consultor em investimentos e estratégias no mercado imobiliário.

Mas isso não significa que as vagas em garagem estão perdendo valor, pois a precificação depende muito da região e do perfil do empreendimento. O que isso reflete, na verdade, é que os avanços sociais que podemos observar no dia a dia e nas mudanças das estatísticas é que as preferências das pessoas estão mudando, assim como os estilos de vida, e isso gera repercussões no mercado imobiliário, criando novas tendências e desfazendo outras.